quinta-feira, 18 de junho de 2015

Comparação

Se um dia me perguntares
O que eu senti por você,
Talvez eu não tenha a clareza
Do que poderei dizer.

Tentarei buscar no infinito
Uma forma de te explicar,
Que o que eu senti por você
Perpassa as ondas do mar.

Ou quem sabe pensarei nas estrelas,
No seu brilho em noites escuras?
E até mesmo na luz dos lampiões
Que iluminam delicadamente as ruas?

Mas se ainda não entenderes
O sentimento que invadiu o meu ser,
Pensarei no som das gaivotas
Sobrevoando oceanos e mares,
Em busca de outros lugares
Que possam, enfim conhecer.

No entanto, acho improvável
Que até mesmo a natureza,
Com sua tamanha beleza,
Possa ser capaz de ilustrar.
Pois o que senti por você
É bem mais que simplesmente amar!

Val Leão


Há algumas décadas, educar filhos para a maioria das pessoas era aparentemente mais simplificado do que hoje. A educação era aplicada de forma vertical: os pais no topo da linha e os filhos na base dela. Assim, a base devia cumprir tudo o que o topo ordenava.
A geração seguinte de pais, não concordando com a forma com que foi educada, quis educar os filhos de outro modo, proporcionando a eles tudo que seus pais não lhe deram. Ocorreu o oposto, a educação de forma horizontal: a permissividade, a liberdade completa, pais e filhos no mesmo patamar e com os mesmos direitos. Essa geração acreditava na afinidade e na sintonia total. Porém, entendemos que estar em sintonia com os filhos é estar presente, escutar com empatia, compreender o outro e saber o momento de dizer não, assim colocando os limites necessários.
Os jovens que foram criados neste padrão de comportamento, formaram uma geração de adolescentes com vários direitos e poucos deveres, com muita liberdade e pouca responsabilidade e com muita indisciplina e poucos limites. É importante lembrar que a indisciplina não surge de repente, é fruto de um longo processo educativo que se inicia mesmo antes dos filhos nascerem.
Essas crianças possuirão um sério problema na vida escolar, momento em que passarão a viver em sociedade, visto que depois da família, seu primeiro contato social é a escola. Neste espaço deverão respeitar e cumprir regras que até então eram inexistentes em sua vida. Sentir-se-ão como soldados sem armas em um combate.
A criança é um ser em formação e precisa de apoio dos pais durante todo os eu processo educativo. O diálogo é fundamental para que o ser humano possa ter consciência de seus atos, sabendo escolher qual caminho deverá trilhar para uma vida feliz. É importante também que os pais contem sobre sua história, pois eles serão referências para toda a vida. Um filho que não conhece a caminhada de seus pais, não desenvolve um vínculo afetivo, fator primordial para uma educação de qualidade.

quarta-feira, 17 de junho de 2015




Chuva

Ouvindo a chuva lá fora,
Começo então a pensar…
Por que será que estás longe?
Aonde será que se esconde?
Será que um dia tu voltas,
Para minha tristeza acabar?

Que sentimento é esse que invade?
Que faz com que o tempo não passe?
Que perdura uma eternidade?
E que corre para o mesmo lugar?

Perguntas que voam ao vento,
Que revelam um sentimento
Difícil de se explicar!

Talvez seja até passageiro,
Mas parece que o mundo inteiro
Desistiu de continuar a girar.

Só resta então a esperança,
Como o sonho de uma criança,
Que essa chuva que cai bem de leve,
Diminua a intensidade,
Até que seus pingos se esgotem
Para que eu possa parar de pensar!

Val Leão

Esses pensamentos

Sentimentos se misturam como os pingos de chuva ao cair no chão. 
E como quem segue a correnteza para ver onde ela vai chegar,
Eu busco respostas, incesantemente para poder me encontrar!

E nessa busca, o silêncio é meu fiel companheiro,
Pois é nele que habitam os meus pensamentos mais intensos
E é nele que a minha alma encontra um refúgio por inteiro.

Val Leão

quarta-feira, 19 de junho de 2013



"Mundializar significa favorecer as cooperações econômicas, sociais, culturais, tudo o que caminha no sentido da unidade solidária da humanidade."(MORIN, Edgar, pág. 17 - A minha esquerda)

Processo de "Mundialização"

Valquíria Leão

Com todo este manifesto ocorrendo, impossível não se posicionar e não estabelecer uma relação com tudo o que discutimos diariamente na universidade. A teoria aproxima-se mais uma vez da brutal realidade, na qual a voz do povo só é ouvida através de protestos, os quais são regados de sangue, de fúria, de injustiças e de discursos fundamentalistas vindos de uma parte muito pequena, a qual se interessa pelo silêncio do povo.

Antes de lançar qualquer crítica à polícia militar, faço uma ressalva: mais uma vez, na história da humanidade, vemos nitidamente o que Adorno cita em suas obras em relação à consciência coisificada. Infelizmente, a polícia, que tem como filosofia servir e proteger, hoje apenas segue às ordens de uma minoria que estabelece como norma a ordem. Ordem essa que tem como princípio o cuidado do patrimônio público, da permanência da boa conduta e do comportamento dócil. E eles cumprirão com seu dever, nem que para isso precisem ferir seus iguais, pois sua responsabilidade é eximida pela ordem de seus superiores. É triste pensar que uma classe tão desfavorecida quanto a dos policiais, não juntem-se ao restante do povo e lutem pelos mesmos ideais.

Apesar disso, percebo um facho de luz! Percebo um processo de “mundialização” tomando forma, criando asas em rumo a luta pelo bem comum. Em "A Minha Esquerda", de Edgar Morin, em um se seus textos ele aborda a questão sobre a compartimentalização das lutas do povo, por ideais que, apresentam-se segmentados. Ao contrário disso, vejo neste dia de hoje, algo novo acontecer. Dentro de suas particularidades, o Brasil todo se revolta contra as injustiças sofridas através da elite governante.

E a elite governante, muito bem representada por uma mídia que massifica, permanece protegida atrás de discursos retóricos. As reportagens veiculadas pelos meios de comunicação, apresentam como foco principal deste protesto o aumento das passagens do transporte público, tornando irrelevante tal movimento em função de R$ 0,20 centavos.

Aos que acreditam nesse argumento, peço que atentem aos reais objetivos que levaram a tal protesto: a fome, o desemprego, os baixos salários, a corrupção, a falta de atendimento de qualidade nos hospitais, a falta de segurança, a violência desenfreada, a desigualdade social que aumenta a passos largos, transcendem a meros R$ 0,20 centavos. O país do futebol é também o país que sedia a tristeza de um povo que, através de tantas injustiças apresenta um comportamento de revolta.

Segundo a nossa presidente, o comportamento do povo é passível de compreensão e entendido como um ato democrático. Sinceramente, penso que democracia não se resume tão somente ao direito de protestar. Democracia precisa ser entendido como o direito de ser ouvido e atendido, caso contrário, a lacuna existente entre o apelo do povo e a escuta paciente do governo, torna-se um espaço habitado somente pelo sentimento de revolta daqueles que são ignorados.

Quero deixar claro que sou contra a qualquer ato de violência ou comportamento agressivo, pois em meio a estes manifestos, muitas pessoas acabam por serem agredidas seriamente. No entanto, a agressão a que o povo se submete diariamente em filas de hospitais na busca por atendimento, na luta por um salário digno, no apelo por segurança e na procura por um espaço dentro da sociedade, é maior e mais lenta e fere mais do que corpos. A violência a qual o povo se submete diariamente, fere a dignidade, o respeito e a alma de cada cidadão.

Também ressalto aqui, que meu objetivo não é defender partidos políticos. Meu objetivo é defender ideias e ideias transcendem a ranços ideológicos, vão além de discursos. Vão ao encontro do que é real e necessário a cada indivíduo pertencente a esta sociedade. 

Não acho justo que lojas sejam depredadas, ônibus incendiados e prédios pichados. Porém, como afirma Levinas, para que haja justiça, os fatos não devem ser remediados, mas sim evitados. Punir não é sinônimo de justiça e sim, é sinônimo de que em algum momento o sistema falhou. A reação dos manifestantes apenas deixa claro a revolta de um povo desesperado, cego de valores e sedento de justiça. 

Encerro minha fala dando parabéns aos representantes do povo que, numa demonstração de coragem, vão às ruas com cartazes e suplicam em frente às câmeras por soluções para problemas socioculturais, os quais afetam a cada um dos brasileiros. Lamento pelo ódio que corrompe àqueles que, imersos à revolta, acabam por deixar que seu instinto fale mais alto do que sua razão.  

Penso que o povo tem capacidade de protestar de forma inteligente, estratégica e pacífica, pois através de um movimento organizado e bem liderado, acredito que se conseguem grandes vitórias. Atos de vandalismos apenas reforçam um comportamento que se equipara às atitudes de um governo que também age na mesma proporção em relação ao seu povo.






A Minha Esquerda


        No livro "A minha esquerda", Morin faz uma crítica reflexiva em relação aos partidos de esquerda que, originalmente apresentavam como objetivo a aspiração por um mundo melhor, a emancipação dos oprimidos, explorados, humilhados, ofendidos e a universalidade dos direitos do homem e da mulher. Este "a" esquerda nos dá a falsa ilusão de que todas as correntes libertárias, socialistas e comunistas, lutariam pelos mesmos fins, em busca de uma sociedade mais igualitária. No entanto, ao longo do tempo, estas correntes tornaram-se concorrentes entre si, demonstrando antagonismos e ambiguidade em suas filosofias.
A esquerda tornou-se incrédula, apresentando promessas ilusórias, onde sua única esperança é beneficiar-se do declínio da direita.
Segundo Morin, vivemos uma crise em que o capitalismo inerente a nossa época nos promete uma sociedade do conhecimento, no entanto, somos presenteados com conhecimentos dispersos e compartimentalizados, os quais nos impedem de relacioná-los de forma que possamos compreender os problemas globais que assolam nossa época.
A globalização e o desenvolvimento, ao mesmo tempo que nos propiciam progressos materiais de todos os domínios, provocam um subdesenvolvimento espiritual e moral. "Criam classes médias emancipadas, mas criam também novas e gigantescas misérias, a destruição das solidariedades e o aumento das desigualdades".
Morin propõe uma reforma na maneira de pensar a sociedade global, valorizando suas individualidades culturais em busca do desenvolvimento, através do envolvimento solidário, ao que ele dá o nome de "mundialização e desmundialização".
Tendo em vista que o capitalismo inerente a nossa época, avança de modo descontrolado, torna-se improvável que nossa sociedade se liberte de um sistema que corrompe com nossa busca por uma vida saudável, no entanto Morin sugere que passemos a conceber uma via de uma política da humanidade subordinando o bem-estar material à qualidade de vida.
A sociedade deve reconhecer-se como uma unidade, como partes pertencentes de um todo, não perdendo suas particularidades, mas assumindo uma postura de solidariedade em relação ao mundo em que está inserida.
O autor faz uma ressalva às iniciativas que são tomadas em todas as partes do mundo, sob todas as ordens econômicas, sociais, educacionais, políticas entre outras, porém essas iniciativas não dialogam entre si. Lutam por soluções para problemas individuais, os quais são indissociáveis à vida humana.
Partindo do pressuposto de que uma reforma democrática seja necessária, o autor reconhece a necessidade da multiplicação de universidades, as quais ofereceriam uma visão política, sociológica e econômica mais ampla aos indivíduos e uma reestruturação nas carreiras de administração pública que implicam uma missão cívica, considerando os valores morais e éticos quanto à benevolência, compaixão, sua dedicação ao bem público e sua preocupação com a justiça e igualdade.
Morin afirma que vivemos um tempo de regressão à barbárie. A barbárie causada pela falta de sensibilidade da técnica e do lucro desenfreado e essa fase só poderá ser contida através da consciência dos perigos mortais que a humanidade a ela está sujeita.
É essencial que retomemos as origens partidárias centradas no indivíduo (anarquismo), na comunidade (comunismo), na sociedade (socialismo) e na ecologia, sendo esta última uma nova forma de pensar a era planetária, visando um compromisso em restabelecer a aliança das antigas civilizações com a natureza. Sendo a Terra a nossa única morada, cabe a nós cuidá-la, preservá-la e nutri-la com afetividade, tendo a consciência de que o ecocídio seria o suicídio.

Algumas considerações


              As relações de poder atingem silenciosamente a todas as instâncias do pensamento cada vez mais globalizado, desintegrando não somente a sociedade, mas principalmente os valores nela constituídos originalmente. O consumismo inerente a nossa época nos torna cegos de solidariedade, de fraternidade, de identidade e de afetividade com os nossos semelhantes e com a mãe Terra. 
Os representantes do povo, que inicialmente tinham como filosofia a busca pela dignidade, perderam-se em meio a exploração do homem pelo próprio homem. O mundo está repleto mais de contingências do que de certezas e nossas incertezas sobrepõem a nossa fé. Ser solidário não é mais característica da nossa sociedade, no entanto apesar do excedente populacional, nos tornamos cada vez mais solitários.
Vivemos num mundo de miséria, mas não somente quanto ao sistema financeiro e sim a miséria de ética, de doçura nas relações e nas emoções, as quais são essenciais a vida humana. Mais do que conhecimentos tecnológicos, precisamos conhecer nosso próprio eu, na busca de reascender a esperança que habita os corações de cada ser, de cada sociedade, de cada nação. Somente a busca incessante, “não pelo melhor do mundos, mas sim por um mundo melhor” (Morin), tornará nossa sociedade mais humana e solidária.


Valquíria Leão



domingo, 16 de junho de 2013




Para além da Sala de aula...


Valquíria Leão (16/06/13)

Vendo a necessidade de discutir sobre questões sociais, econômicas e culturais com meus alunos do 5º ano, resolvi estabelecer uma relação entre as abordagens feitas nas aulas sobre Ética, ministradas pelo professor Pedro Savi e as questões pertinentes ao contexto histórico em que nos encontramos, de forma prática, dinâmica e prazerosa, proporcionando às crianças um espaço de construção do conhecimento.

Concomitante a este desejo, me apropriei da história de uma criança, a qual, desde seus primeiros anos de vida, descobriu que o mundo que nos cerca é constituído de incertezas e que tais incertezas nos oportunizam emoções de todas as espécies.

Essa criança, como exemplo de muitas outras que conhecemos, apresentou uma infância bastante difícil, tendo muito cedo seus pais separados e acometidos por doenças características da nossa época. Embarcando num mundo de grandes intempéries e carregando desde cedo traços de tristezas, tal criança não deixou de sorrir e ainda assim, lutou por tornar seus dias mais felizes, levando mensagens de carinho, paz e esperança a todos que tiveram a oportunidade de conhecê-la.

Essa criança a qual me refiro, cresceu, tornou-se um ídolo e através da arte, mais especificamente do cinema, assumiu o compromisso de levar ao mundo, um sorriso, uma mensagem e mesmo depois de partir, deixou um legado para toda a humanidade. Charlie Spencer Chaplin, nascido em 16 de abril de 1889, pertencente a uma família pobre, provou a todos que, a vida não é apenas uma passagem: ela representa uma missão e todos nós temos a responsabilidade de cumpri-la com dignidade, respeito ao próximo e sobretudo, ética.

O projeto Charlie Chaplin, teve início no dia 26 de março de 2013 e terminou no dia 08 de junho. Tendo como base os filmes (Vida de Cachorro, Luzes da Cidade, Em busca do Ouro, Tempos Modernos, O garoto, O circo e O Grande Ditador), realizamos debates, confeccionamos textos, cartas, cartazes, bonecos e mais importante que tudo, chegamos à conclusão de que a vida é fruto de nossas escolhas. Apesar das dificuldades, temos o dever de superar os obstáculos e lutar por uma vida digna, respeitando e valorizando todo ser pertencente a este planeta.

Questões bastante polêmicas foram abordadas e é impressionante e ao mesmo tempo comovente, pensar que, as crianças tenham opiniões tão maduras em relação à vida. Muitas vezes o poder de interpretação das crianças é subestimado e afirmo com total convicção que, a criança tem muito mais facilidade de compreender a realidade que a cerca, pois sua interpretação é despida de pré-conceitos. Enquanto nós adultos, nos aprofundamos em teorias para conceituar o mundo, a criança o traduz, de forma simples, dando a ele grande significado.

Por fim... expresso nessas linhas o meu contentamento e realização quanto a este trabalho, o qual fez com que nossas aulas tivessem muito mais sentido e transcendessem as minhas expectativas, pois através dos filmes de Chaplin, pude relacionar as ideias de Adorno e Bauman, tornando-as mais compreensíveis e adequadas aos meus alunos.

Temas discutidos:


"Uma pessoa pode ter uma infância triste e mesmo assim chegar a ser muito feliz na maturidade. Da mesma forma, pode nascer num berço de ouro e sentir-se enjaulada pelo resto da vida." 
(Charlie Chaplin)